Literatura

:: Literatura Brasileira ::

Conceitos, escolas literárias e autores.
:: Seja bem vindo à página da Literatura Brasileira :: | Página Inicial ::

 

Literatura Brasileira

I - LITERATURA INFORMATIVA

O que é?

· É um tipo de literatura composta por documentos a respeito das condições gerais da terra conquistada, as prováveis riquezas, a paisagem física e humana, etc.

· Em princípio, a visão européia é idílica: a América surge como o paraíso perdido e os nativos são apresentados sob tintas favoráveis. Porém, na segunda metade do século XVI, à medida em que os índios iniciam a guerra contra os invasores, a visão rósea transforma-se e os habitantes da terra são pintados como seres bárbaros e primitivos.

Principais manifestações:

· A Carta de Pero Vaz de Caminha:

· Descrição minuciosa da nova realidade; -- A simplicidade no narrar os acontecimentos;

· A disposição humanista de tentar entender os nativos;

·O ideal salvacionista. Duas viagens ao Brasil, de Hans Staden - Viagem à terra do Brasil, de Jean de Léry: · Relato de viajantes que viveram entre os índios vários meses.

· Registro da antropofagia e descrição dos costumes indígenas.

II - LITERATURA JESUÍTICA

José de Anchieta

Obras refinadas: poemas e monólogos em latim que parecem destinados a satisfazer suas necessidades espirituais mais profundas.

Obras didáticas: hinos, canções e especialmente autos, que visavam infundir o pensamento cristão nos índios.

Os autos: Obras teatrais onde o autor tenta conciliar os valores católicos com os mitos indígenas. Há um confronto entre o bem e o mal. O bem é defendido por santos e anjos, os quais expressam o cristianismo e subjugam o mal, constituído por deuses e pajés dos nativos, misturados com os demônios da tradição católica.

III - BARROCO

Surgimento: Europa, meados do século XVI - Brasil, início do século XVII. (Lembrar que, no Brasil, a literatura barroca acaba no século XVII, junto com o declínio da sociedade açucareira baiana. Contudo, na arquitetura e nas artes plásticas, o estilo barroco atingirá o seu apogeu apenas nos séculos XVIII e início do XIX, em Minas Gerais.)

Variações barrocas: cultismo (exagero e rebuscamento formal) e conceptismo (exagero no plano das idéias) são manifestações de excesso da literatura barroca.

Características:

1) Arte da Contra-Reforma, expressando a crise do Renascimento, com a destruição da harmonia social aristocrática-burguesa por meio das guerras religiosas. Os jesuítas que surgem, neste período, combatem os protestantes e espalham pelo mundo católico a sua implacável ideologia teocêntrica.

2) Conflito entre corpo e alma. Dividido entre os prazeres renascentistas e o fervor religioso, o homem barroco oscila entre: a) a celebração do corpo, da vida terrena, do gozo mundano e do pecado; b) os cuidados com a alma visando à graça divina e à salvação para a vida eterna.

3) Temática do desengano (o desconcerto do mundo): a vida é breve, a vida é sonho, viver é ir morrendo aos poucos. Aguda consciência da efemeridade da existência e da passagem do tempo.

4) Linguagem ornamental, complexa, entendida como jogo verbal, cheia de antíteses, inversões, metáforas, alegorias, paradoxos, ausência de clareza. É um estilo complicado que traduz os conflitos interiores do homem barroco.

Autores barrocos:

1) Gregório de Matos (Boca do Inferno)

Poesia religiosa - Apresenta uma imagem quase que exclusiva: o homem ajoelhado diante de Deus, implorando perdão para os pecados cometidos.

Poesia amorosa - Tem uma dimensão elevada, muitas vezes associada à noção de brevidade da existência, e uma dimensão obscena, onde a explosão dos sentidos (em versos crus e repletos de palavrões) representa um protesto contra os valores morais da época.

Poesia satírica - Ironia corrosiva e caricatural contra todos os setores da vida colonial baiana: senhores de engenho, clero, juízes, advogados, militares, fidalgos, escravos, pobres livres, índios, mulatos, mamelucos, etc.

Com seu olhar ressentido de senhor decadente, Gregório de Matos vê na realidade apenas corrupção, negociata, oportunismo, mentira, desonra, imoralidade, completa inversão de valores. A poesia satírica, portanto, para ele é vingança contra o mundo.

2) Padre Antônio Vieira

Os Sermões

· Utilização contínuas de passagens da Bíblia e de todos os recursos da oratória jesuítica para convencer os fiéis de sua mensagem, mesmo quando trata de temas cotidianos.

· Ataca os vícios (corrupção, violência, arrogância, etc.) e defende as virtudes cristãs (religiosidade, caridade, modéstia, etc.)

· Combate os hereges, os indiferentes à religião e os católicos desleixados em relação à Igreja.

· Defende abertamente os índios. Mantém-se ambíguo frente aos escravos negros: ora tenta justificar a escravidão, ora condena veementemente seus malefícios éticos e sociais.

· Exalta os valores que nortearam a construção do grande império português. E julga (de forma messiânica) que este império deveria ser reconstruído no Brasil.

· Propõe o retorno dos cristãos novos (judeus) a territórios lusos como forma de Portugal escapar da decadência onde naufragara desde meados do século XVI.

· Apresenta uma linguagem de tendência conceptista, de notável elaboração, grande riqueza de idéias e imagens espetaculares. Fernando Pessoa o chamaria de "Imperador da Língua Portuguesa".

IV - ARCADISMO (ou NEOCLASSICISMO)

Características

1. Arte ligada ao Iluminismo. Oposição ao absolutismo despótico e ao poder (barroco) da Igreja.

2. Afirmação orgulhosa da racionalidade. Razão = Verdade = Simplicidade e clareza.

3. Culto da simplicidade. Como se atinge a mesma? Por meio da imitação (não no sentido de cópia, mas no de seguir modelos já estabelecidos).

4. Imitação dos clássicos. Em especial, Virgílio e Teócrito, clássicos pastoris.

5. Imitação da natureza campestre, isto é, da ordem e do equilíbrio que essa natureza apresenta, o que dá a mesma um caráter de paraíso perdido. Dois elementos decorrem da aproximação do árcade da natureza campestre:

a) Bucolismo: adequação do homem à harmonia e serenidade da natureza.

b) Pastoralismo: celebração da vida pastoril, vista como um eterno idílio entre pastores e pastoras.

6. Ausência de subjetividade. O autor não expressa o seu próprio eu, adotando uma forma pastoril (Cláudio Manuel da Costa é Glauceste Satúrnio, Tomás Antônio Gonzaga é Dirceu, Basílio da Gama é Termindo Sipílio, etc.)

7. Amor galante. O amor é entendido como um conjunto de fórmulas convencionais.

Arcadismo no Brasil

· Decorrência da atividade mineradora e da urbanização que dela resultou.

· Criação de Academias e Arcádias onde os letrados procuravam fugir da indiferença do meio.

· Instituição em caráter regular de um sistema literário: Autores, obras escritas dentro de uma tendência comum, público leitor permanente.

· Relação com a Inconfidência Mineira. Tomás Antônio Gonzaga foi degredado e Cláudio Manuel da Costa se suicidou na prisão.

Poesia lírica:

1. Cláudio Manuel da Costa

Obras poéticas:

· Poesia de transição entre o Barroco e o Arcadismo.

· Do Barroco, o autor tem as noções de brevidade dos sentimentos e da vida, o tema recorrente do sofrimento humano e o gosto pela antítese e pelo soneto camoniano.

· Do Arcadismo, CMC apresenta o pastoralismo e a renúncia à visão religiosa de mundo.

· Em suas Obras, contudo, a paisagem não é campestre. Quebrando as convenções do período, ele apresenta cenários dominados por pedras, rochas, grutas e penhascos, indicando as suas raízes mineiras.

· Além das Obras poéticas, escreveu uma fracassado poemeto épico (Vila Rica).

2. Tomás Antônio Gonzaga

Marília de Dirceu (liras)

· Poesia tipicamente árcade, presa aos esquemas bucólicos e pastoris.

· A obra foi escrita em três partes que correspondem a momentos históricos diferentes na vida do poeta. A I parte em liberdade. A II na prisão. E a III provavelmente logo após o degredo para a África.

· A expressão sentimental da obra dá-se, na maior parte das liras, de acordo com as fórmulas convencionais da galanteria. No entanto, em alguns momentos das partes II e III, o autor escapa dos padrões árcades e desabafa a sua dor, o sentimento de medo do futuro e da morte e, sobretudo, a saudade de Marília. Nestes momentos, as liras adquirem um caráter pré-romântico.

· Em seu todo, Marília é um canto das virtudes ilustradas ("áurea mediocritas", racionalidade, decoro e simplicidade).

· Sob pseudônimo de Critilo, escreveu as célebres Cartas Chilenas onde satiriza os desmandos do governador de Minas Gerais, apelidado no texto de Fanfarrão Minésio.

3. Silva Alvarenga

Glaura

· Celebração da pastora Glaura, ora num tom galante, ora melancólico.

Poesia épica:

1. Basílio da Gama

O Uraguai

Tema: A conquista militar das Missões jesuíticas no RS por tropas luso-espanholas, em 1756, a mando do Marquês de Pombal.

Outros aspectos:

· Celebração épica dos conquistadores brancos, representados pelo general Gomes Freire de Andrade.

· Também os índios (Sepé e Cacambo) são apresentados na condição de heróis. É uma espécie de glorificação do homem natural (como se os índios fossem pastores árcades) que enfrenta os representantes da civilização européia.

· Os vilões da história são os jesuítas, duramente criticados, sobremodo o padre Balda.

· A cena mais famosa do poema é lírica e não épica. Trata-se da morte de Lindóia, que, após ter seu marido, Cacambo, envenenado por ordens do padre Balda e na iminência de casar-se com o índio Baldeta, filho natural do padre corrupto, Lindóia prefere morrer, deixando-se picar por uma serpente venenosa.

Não esqueça: O Uraguai é um poema em cinco cantos e em versos brancos (sem rima).

2. Santa Rita Durão

Caramuru

· Tema: A glorificação do colonizador branco e agente da catequese católica, Diogo Álvares Corrêia, que maravilhou os índios com um tiro de arcabuz na Bahia do século XVI, casando-se com a filha do cacique, Paraguçu, e passando a viver entre eles.

Outros aspectos:

· Louvação do índio que se converte à religião do dominador luso e o auxilia na conquista da terra.

· A cena mais famosa da epopéia é a morte da índia Moema, após a partida para a França de Diogo Álvares e sua noiva, Paraguaçu. Moema vai nadando atrás do navio até ser tragada pelas ondas.

Não esqueça: Há nesta epopéia uma forte influência de Os Lusíadas, de Camões.

V - ROMANTISMO

Contexto histórico:

· Ascensão da burguesia > Implantação definitiva do capitalismo > Liberalismo econômico, jurídico e filosófico.

· Surgimento de um novo público leitor > A arte passa a valer como mercadoria.

· Surgimento: Fins do século XVIII.

· Já o apogeu romântico ocorre na I metade do século XIX.

Características:

1) Individualismo e subjetivismo: É a dupla face do EU romântico. A do EU arrogante, napoleônico, audacioso. E a do EU que se fecha sobre si mesmo, que escava a sua própria interioridade.

2) Sentimentalismo: Celebração do "grande amor", da paixão desmedida, mas também da tristeza, da angústia, do "mal do século" (o tédio).

3) Culto à natureza: Raro o poema romântico que não exalte ou, pelo menos, faça referência ao mundo natural. Também as metáforas preferidas ligam-se sempre a fenômenos da natureza.

4) Sonho, fantasia, tendência à idealização.

5) Escapismo: tendências suicidas, culto da morte, criação de mundos imaginários, entrega ao álcool e às orgias.

6) Liberdade artística: fim do mecenatismo, ao vender sua obra no mercado o artista se libera das exigências de seu protetor. Desobediência às regras clássicas. Surge o drama teatral e o romance se impõe como o gênero dos novos tempos.

Romantismo brasileiro

· Arte identificada com a Independência política · Nacionalismo ufanista: - Indianismo - Regionalismo - Culto à natureza brasileira - Tentativa de criação de uma língua nacional.

Vigência:

Início: 1836 - Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães.

Fim: Década de 1870, com a morte dos últimos românticos importantes: Castro Alves e José de Alencar.

A Poesia Romântica

>I Geração (Nacionalista)

1) Gonçalves de Magalhães

· Suspiros poéticos e saudades > Obra (medíocre) que introduz o espírito romântico no país.

· Confederação dos tamoios > Fracassada experiência indianista.

2) Gonçalves Dias

Primeiros cantos - Segundos cantos - Últimos cantos - Os timbiras (epopéia indianista inacabada) - Sextilhas de Frei Antão (poemas escritos em português quinhentista, arcaico).

Temas básicos:

Valorização do índio: herói idealizado que simboliza o passado heróico da nação, Juca Pirama.

Saudades da pátria: Canção do exílio (O paraíso está "lá" e não "cá", a pátria reside na natureza).

Canto da natureza: a beleza do trópico e o encontro de Deus nos fenômenos naturais (panteísmo).

Amor impossível e sofrido: Principais poemas: Ainda uma vez - adeus!; Se se morre de amor.

Não esqueça: G. Dias é o poeta romântico mais equilibrado e o que tem o melhor sentido de ritmo e musicalidade do verso.

A poesia romântica

II Geração (Individualista, ultra-romântica, byroniana ou do "mal do século").

1) Álvares de Azevedo

Lira dos vinte anos (poemas); O conde Lopo (poema); Macário (drama com traços cômicos onde um jovem viaja a São Paulo guiado por Satã); Noite na taverna (contos byronianos, góticos, sombrios e devassos nos quais sete rapazes expõem histórias terríveis de suas vidas).

Temas básicos:

Presságio da morte: Se eu morresse amanhã.

"Mal do século": tédio, dúvida, angústia sobre o sentido da vida, confronto entre o sonho e a realidade. Idéias íntimas.

Humor prosaico: percepção irônica do cotidiano, amor orgíaco (dimensão da fantasia) e medo do amor (dimensão real traduzida pela imagem recorrente da mulher adormecida).

Não esqueça: Em sua obra, como disse um crítico, as mulheres são "deusas" ou prostitutas, isto é, inatingíveis ou desprezíveis.

2) Casimiro de Abreu

Primaveras

Temas básicos: Emoções singelas da adolescência (inquietudes amorosas) em linguagem totalmente simples.

Saudosismo: a) da infância: Meus oito anos; b) da pátria: Canções do exílio.

3) Fagundes Varela

Anchietaou o Evangelho nas selvas

Temas básicos:

Todos os da poesia romântica: o índio, o canto da pátria, a natureza, o tédio, o abolicionismo, etc.

A morte do filho: Cântico do calvário.

Não esqueça: Apesar de ser um poeta pouco original, F. V. alcança um bom nível na sua poesia rural/sertaneja.

III Geração (Liberal, social ou condoreira)

1) Castro Alves

- Espumas flutuantes.

- Os escravos.

- Cachoeira de Paulo Afonso.

Temas básicos:

Poesia social: o abolicionismo, a defesa de causas liberais como a educação, o canto do futuro e do progresso.

Poesia lírica: a natureza e o amor, este como expressão dos desejos sexuais.

Não esqueça: A poesia condoreira apresenta uma linguagem forte, retórica, discursiva, com imagens extraídas dos aspectos mais grandiosos da natureza. Já a poesia lírica encontra sua expressão numa linguagem simples, quase coloquial e de forte plasticidade (qualidade visual).

2) Sousândrade

- Um caso à parte

Obras poéticas:

O Guesa errante

Desprezado em sua época, Joaquim de Sousa Andrade, ou Sousândrade, acabou reabilitado pelos concretistas como um caso de "antecipação genial" da livre expressão modernista.

Poeta experimental cria uma linguagem cheia de elipses e fusões vocabulares, fugindo das banalidades sentimentais dos românticos.

Obra principal:

Guesa errante, longo poema narrativo em treze cantos. Está baseado em uma lenda indígena colombiana:

Guesa é uma criança roubada dos pais pelo deus do Sol. Educado por este deus até os 10 anos, acaba sendo sacrificado aos 15, após longa peregrinação pela "estrada do Suna", que na verdade é o mundo.

Não esqueça: a parte mais interessante do Guesa errante é a em que ele vê a consolidação do capitalismo como uma doença viciosa (O inferno de Wall Street).

II - O romance romântico

1. Joaquim Manuel de Macedo

:: O moço louro - A moreninha (relato sentimental da ligação entre dois jovens, Augusto e Carolina, presos a uma promessa amorosa infantil e que na adolescência se apaixonam, um pelo outro, sem saber que são eles próprios os noivos prometidos).

Características da obra:

· Adaptação do folhetim romântico europeu:

a) a cenários brasileiros.

b) aos valores morais e afetivos da família patriarcal brasileira.

· Possibilita aos leitores brasileiros uma identificação com a realidade local.

Não esqueça: A importância de Macedo é que ele desperta no público o gosto pelo romance ambientado no Brasil

2. JOSÉ DE ALENCAR

Romances urbanos:

Senhora

- romance sobre o casamento por interesse. Aurélia é abandonada pelo noivo, Fernando Seixas, que a troca pelo dote de 30 contos de Adelaide Amaral. Contudo, Aurélia recebe vultuosa herança e compra o antigo noivo por 100 contos, casando-se com ele. Aurélia vinga-se então de Fernando Seixas, tratando-o como um ser desprezível, mas o rapaz especula na bola e ganha o dinheiro para se resgatar.

O desfecho é absolutamente convencional: os dois se perdoam e são felizes para sempre.

Lucíola

- romance sobre a paixão de um jovem bacharel, Paulo, por uma cortesã (prostituta), Lúcia. As dificuldades deste tipo de relacionamento, a pressão social e as angústias naturais do amante constituem a base da narrativa. No final, os dois se retiram do centro do Rio de Janeiro em busca de um cenário favorável para o triunfo do amor, porém, providencialmente, Lúcia morre.

Romances regionalistas (ou sertanistas):

- O gaúcho.

- O sertanejo.

- Til.

- O tronco do ipê.

(relatos cujo objetivo é exaltar a unidade nacional na diversidade regional).

Romances históricos:

-As minas de prata.

- A guerra dos mascates.

(romances de muita ação e pouca historicidade objetiva)

Romances indianistas:

- O guarani (que Alencar considerava um relato histórico).

- Ubirajara.

- Iracema ("Lenda do Ceará", espécie de poema em prosa, narra a paixão proibida - mas que acaba se realizando - entre Iracema, espécie de sacerdotisa da tribo tabajara e o português Martim Soares, aliado dos pitiguaras. Iracema, a guardadora do segredo de Jurema e que deveria permanecer virgem, entrega-se a Martim e desta relação nasce Moacir, "o filho do sofrimento". Antes do nascimento da criança, Martim Soares parte. Ao regressar, encontra a índia às portas da morte. Mesmo assim, Iracema ainda lhe entrega a criança e só depois morre. Martim leva então consigo o filho Moacir, designado pelo escritor como o "primeiro cearense".

Características gerais da obra:

· Projeto nacionalista: revelar o Brasil em seu espaço físico-geográfico (romances urbanos e regionalistas), em seu passado histórico (romances históricos) e em sua dimensão lendária/mítica (romances indianistas).

· Estrutura narrativa romântica, com forte influência de Walter Scott e Fenimore Cooper.

· Idealização permanente da realidade nacional, valorização da natureza e estilo metafórico, tendente ao poético.

· Tentativa de criar uma língua brasileira (Iracema).

· Aspectos pré-realistas nos romances Lucíola e Senhora (análise psicológica mais complexa, análise do peso da sociedade sobre a vida individual e temas relativamente proibidos: o casamento por interesse e as complicações resultantes do amor entre dois grupos sociais distintos).

· Em Senhora e Lucíola: vitória final da ótica moral conservadora, traduzindo os valores patriarcais do autor.

Não esqueça: Com José de Alencar e seu projeto estético-ideológico (a defesa de temas nacionais e a luta por uma linguagem brasileira), a nossa literatura começa o seu processo de emancipação definitiva da literatura portuguesa.

3. Visconde de Taunay

Inocência

- (romance sertanista -regionalista- sobre uma paixão proibida entre a jovem sertaneja, Inocência, e um falso médico vindo da cidade, Cirino. O pai da moça, entretanto, a prometera a um tipo rústico chamado Manecão. Este, ao descobrir a paixão de Inocência, assassina Cirino. Porém, a jovem deixa-se morrer de tristeza, encerrando tragicamente a história.) Não esqueça: O romance de Taunay já foi designado como uma espécie de Romeu e Julieta caboclo, além de apresentar uma visão crítica do patriarcalismo brasileiro.

4. Um caso à parte:

Manuel Antônio de Almeida

Memórias de um sargento de milícias

· Narrativa de costumes:

Os hábitos das classes populares no "tempo do rei" (1808-1821).

· Destruição do Romantismo:

- Ironia aos cacoetes românticos.

- Personagens semimarginais (Leonardo é "filho de uma pisadela e de um beliscão").

- Ausência de idealização.

· Um romance precursor do realismo:

-Objetividade na visão sobre o mundo social.

· Predomínio do humor:

- Personagens caricaturizados - acontecimentos que desmentem a hipocrisia dos indivíduos - profusão de situações cômicas.

· Personagens principais: Leonardo - suas duas paixões, Luisinha (a ideal) e Vidinha (a sensual) Leonardo Pataca (o pai do anti-herói) - Major Vidigal (o representante da ordem e o perseguidor de Leonardo) - Compadre (o protetor de Leonardo), etc.

Não esqueça: Por seu teor cômico, pela ausência de idealização social e pelas características do anti-herói, Leonardo (irresponsabilidade, sensualidade, gosto pela vagabundagem e estratégias espertas de sobrevivência), o romance tem sido classificado como a primeira narrativa da malandragem em nossa literatura.

VI - REAL-NATURALISMO

Surgimento: II metade do século XIX.

Características do realismo:

1) Objetivismo e impessoalidade.

2) Busca da verossimilhança: as obras devem dar a impressão de verdade total, isto é, de que constituem um reflexo perfeito da realidade.

3) Busca da perfeição formal.

4) Pessimismo: os valores burgueses e as crenças religiosas e ideológicas sofrem um processo de completo descrédito.

5) Racionalismo - cuja tradução é tanto a análise psicológica como a análise social.

Características do naturalismo:

1)Arte vinculada às novas teorias científicas e ideológicas européias (Evolucionismo, Positivismo, Determinismo, Socialismo, Medicina Experimental). Daí o outro nome do movimento, criado por Zola: romance experimental.

2) Todas as características do Realismo - menos a análise psicológica. Esta é substituída por variações deterministas que transformam os personagens em fantoches de destinos pré-estabelecidos. Segundo Taine, o homem é produto do meio, da raça e do momento histórico em que vive. Pode-se dizer assim que o Naturalismo é o Realismo mais o cientificismo da II metade do século XIX.

3) Cientificismo sociológico e biológico. O sociológico é dado pelo determinismo do meio e do momento. O biológico pelo determinismo de raça e dos temperamentos e caracteres herdados.

4) Personagens patológicos. Para provar suas teses, os escritores naturalistas são obrigados muitas vezes a apresentar protagonistas doentios, criminosos, bêbados, histéricos, maníacos. O real-naturalismo no Brasil · As primeiras idéias renovadoras surgem na década de 1870, no Recife, através da ação de Tobias Barreto e Sílvio Romero. · Em 1881 aparecem O mulato, de Aluísio Azevedo e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Ainda que não sigam de todo os modelos europeus, as obras são respectivamente consideradas as inauguratórias da estética naturalista e realista no país.

O Romance Realista

1) Machado de Assis

:: I fase: (Tendências indefinidas, com maior acento romântico) Ressurreição - A mão e a luva - Helena - Iaiá Garcia · Tentativa de contrastar caracteres, conforme declaração do autor no prefácio de Ressurreição. · Certos temas recorrentes na II fase, como a ambição e o egoísmo, já se insinuam nestes romances · Linguagem carregada de lugares-comuns.

:: II fase: (Realista, mas de um realismo absolutamente singular, fora dos padrões europeus).

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Um defunto autor, sem as ilusões e as fraudes interiores dos vivos, narra do túmulo a sua vida pregressa. Num tom irônico, ele vai descobrindo a ausência de grandeza em si

e em todas as pessoas. A consciência de que as ações humanas são desencadeadas apenas pelo interesse, pela possibilidade de lucro, pelo egoísmo e pelo instinto sexual, justifica o fim do romance, em que Brás Cubas mede sua vida e conclui que ganhara: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria". Curioso é o personagem Quincas Borba, amigo do personagem-narrador, filósofo de duvidosa sanidade mental, criador da teoria do Humanitas que, sendo uma sátira contra todas as filosofias, é também a tradução da corrosiva visão de mundo do próprio Machado de Assis.

Quincas Borba

O modesto professor Rubião recebe em Barbacena grande herança do falecido filósofo Quincas Borba, com a condição de cuidar do seu cachorro, também chamado Quincas Borba. Rubião abandona a província, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde é enganado e explorado por um bando de parasitas, especificamente por um ambicioso casal: Sofia e Palha. Sofia percebe a paixão do professor por ela e se diverte com sua ingenuidade. Palha monta um negócio de exportação com o professor, o qual entra com todos os recursos financeiros para o empreendimento. Rubião, consciência estreita em demasia para a complexidade psicológica e social, nada entende. E acaba enlouquecendo. Dissipa, então, a sua fortuna inteiramente. Palha desmancha a sociedade, ficando com o negócio e Rubião é despachado de volta para Barbacena, em companhia do cachorro Quincas Borba. Lá morre na maior miséria.

Dom Casmurro

Bento Santiago tenta recompor o passado através da memória, e recorda o amor adolescente por Capitu (a de "olhos oblíquos e dissimulados", "olhos de cigana", "olhos de ressaca"). Boa parte da memória de Bentinho concentra-se na adolescência dos personagens, na poesia da primeira paixão, no compromisso de casamento e em seu ingresso forçado no seminário, promessa carola de sua mãe. Depois, as ações ocorrem velozes: a amizade com Escobar, o abandono do seminário, o tão desejado casamento com Capitu, o enlace de Escobar com Sancha, a amizade dos casais, o nascimento de Ezequiel, filho do personagem-narrador, a felicidade. Escobar morre no mar e Capitu sofre tanto que Bentinho desconfia. Uma desconfiança que aumentará dia após dia, uma dialética de suspeitas e ciúmes: Bento vê no filho, Ezequiel os traços fisionômicos de Escobar. O casamento se corrói pela traição (concreta?, real?) de Capitu, que parte para a Europa com o filho, impelida pelo marido que já não os aceita. Anos depois, Capitu morre, Ezequiel retorna para o Brasil (segundo o narrador, cada vez mais parecido com Escobar), vai para a África e lá também morre. O processo de desagregação de Bentinho estava concluído, restando-lhe enfrentar a solidão definitiva.

Esaú e Jacó

Quando o Conselheiro Aires morre, encontra-se em seus papéis a narrativa em questão. É a história de dois gêmeos, Pedro e Paulo, que já brigavam no ventre da mãe e que seguem adversários na infância e na vida adulta e na maturidade. Um se forma médico, outro advogado, um ingressa no partido conservador, outro no partido liberal. Um é monarquista, outro vira republicano. Ambos, no entanto, se apaixonam pela mesma moça, Flora. Esta oscila entre os gêmeos e termina morrendo sem optar por nenhum. Pedro e Paulo reconciliam-se e prometem amizade fraternal para o resto da vida, mas em seguidas rompem outra vez e seguem se odiando mutuamente. O romance é muito lembrado por ser o único, na obra machadiana, em que fatos históricos (a Abolição e a República) têm importância no entrecho. Nos vestibulares aparece com freqüência o irônico episódio do cap. XLIX - Tabuleta velha - em que um dono de confeitaria, Custódio, em meio à confusão histórica (fim do Império, início da República) não sabe como designar a sua casa de negócios. Memorial de Aires O mesmo Conselheiro Aires, diplomata aposentado, escreve o seu diário cheio de finas observações sobre a vida, num tom discreto e levemente nostálgico, abrandando aquele pessimismo dos relatos anteriores de Machado de Assis. (No mundo ficcional, as memórias do conselheiro são anteriores ao romance Esaú e Jacó, do qual ele também é o narrador). O conselheiro acompanha com interesse humano (talvez amoroso) a jovem viúva Fidélia, praticamente adotada por um casal de velhos sem filhos, Dona Carmo e Aguiar. Estes tinham experimentando uma grande decepção quando um rapaz a quem se afeiçoaram, como se fosse seu filho verdadeiro, Tristão, mudara-se para Lisboa com o fim de freqüentar a escola de medicina. Tristão retorna e acaba se casando com Fidélia. Em seguida, para tristeza dos velhos, o jovem casal viaja para Europa. O romance termina com o Conselheiro Aires acompanhando com discreta piedade a solidão do casal Aguiar e Carmo, no qual muito críticos viram as figuras de Machado e de sua esposa, Carolina.

Os temas principais:

1 - O adultério: Motivo central de Dom Casmurro e de uma série de contos, além de ser motivo importante de Memórias póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba.

2 - O parasitismo social: Reflexo de uma sociedade erigida sobre o trabalho do escravo. Parasitas são quase todos os personagens de Machado, principalmente em Quincas Borba.

3 - A confusão entre a razão e a loucura: As fronteiras estabelecidas entre a razão e a insanidade são vagas e incertas. No conto O alienista desenvolve-se uma ironia feroz contra as certezas cientificistas do século XIX.

4 - O egoísmo, a vaidade, o interesse: Sem estes elementos nada ocorreria nos romances e contos de Machado de Assis. Os personagens movem-se por orgulho ou cobiça, e os que vivem por motivos mais nobres, em geral, são os enganados, os vencidos.

5 - A impossibilidade de ação com grandeza: Se acompanharmos Brás Cubas, Bentinho e o mesmo Rubião, veremos apenas o inventário de mesquinharias e atitudes hipócritas que satisfazem a moral das aparências.

6 - A hipocrisia: Relaciona-se com aspecto do duplo comportamento humano. Intimamente, os seres possuem determinadas facetas, idéias, sentimentos, mas, para satisfazer as exigências sociais, dissimulam, falsificam a sua identidade. Trata-se de um universo de véus e máscaras. Há uma alma interior e uma alma exterior: este é o tema do conto O espelho. Às vezes, a aparência e a verdade se confundem tanto que os indivíduos tomam uma pela outra: Capitu aparenta trair, Bentinho a julga traidora.

7 - A ambigüidade feminina: As mulheres no regime patriarcalista, inferiorizadas socialmente, são impelidas a aprender regras de dissimulação e de sedução, e se servem delas como armas. Muitas vezes, são elas que conduzem os homens desencadeando crises e problemas. Sofia, Capitu, Virgília e dona Conceição - esta última do conto Missa do galo - exemplificam este tipo de mulher.

8- O instinto e o subconsciente como móveis dos atos humanos.

Processos lingüísticos e narrativos

1 - Quebra da estrutura linear: Os romances são fragmentados por uma multiplicidade de episódios e principalmente pelas contínuas digressões do narrador, que se faz presente em todos os textos, opinando, julgando, relativizando tudo.

2 - A volubilidade do narrador: O narrador afirma uma idéia e, em seguida, a destrói. Assim ele faz com todos os sistemas e filosofias, anulando a todos. Nenhuma verdade é absoluta. Tudo depende dos interesses de cada indivíduo. Nada é eterno ou definitivo.

3 - Perfeição formal: Os textos machadianos revelam não apenas um refinamento lingüístico, mas também uma forma trabalhada, limpa, perfeita.

Características das obras

1 - Análise psicológica: O romance de enredo linear é substituído pelo romance de digressões e situações psicológicas. Os acontecimentos exteriores, a natureza, o cenário, são descritos apenas quando provocam reações subjetivas nos personagens.

2 - Análise dos valores sociais: A crítica ao contexto social é um dos pilares das narrativas de Machado de Assis. Tem plena consciência da brutalidade do patriarcalismo brasileiro, do horror escravismo e da pequenez de nossa classe dominante. No entanto, não é um escritor de protesto. Sua análise social não aparece na superfície, está implícita no comportamento dos personagens.

3 - Pessimismo: Decorrência da constatação da falência e da degradação dos valores que regem a vida humana. O escritor assume uma posição de descrença absoluta em relação à saídas religiosas, filosóficas e ideológicas. O final de Brás Cubas é bastante conhecido:

:: Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplastro, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto.(...) Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente saí quite com a vida. E imaginará mal; porque, ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.

4 - Ironia: A amargura e o desespero são tão fortes em Machado que se convertem em humor. Um humor sutil, de entrelinhas, requintado e discreto, de tal forma que os contemporâneos do escritor nunca chegaram a percebê-lo. A ironia do escritor não atinge apenas os personagens, mas os leitores e o próprio formular da narrativa.

Outras atividades: · Além de romancista e contista, Machado de Assis deixou poemas, peças de teatro, crônicas e crítica literária.

Não esqueça: Com Machado de Assis, a literatura brasileira deixou de ser apenas uma manifestação de "cor local", paisagem e exterioridade, tornando-se uma literatura capaz de expressar de forma brasileira as contradições do homem universal.

2. Raul Pompéia

O Ateneu

· Presença de um narrador em primeira pessoa (Sérgio).

· Fortes traços autobiográficos no romance.

· Crítica ao internato e à sociedade que ela expressa.

· Registro da destruição psicológica e moral do menino Sérgio no internato.

· Corrupção do ambiente (todos os personagens se degradam) · Mundo dominado pelo sexo, dinheiro e ânsia de poder.

· Teor caricatural (sobretudo na figura de Aristarco, o diretor do colégio).

· As impressões do passado são revividas pelo narrador · Inclusão do romance no Realismo (por alguns críticos).

· Inclusão do romance na estética impressionista (por outros críticos).

· Linguagem trabalhada ("prosa artística").

3. Aluísio Azevedo

O mulato

(romance cuja ação transcorre em São Luís do Maranhão, envolvendo denúncias contra o preconceito de cor, a mediocridade da vida provinciAna e a hipocrisia do clero. Jovem mulato de origem misteriosa, Raimundo, volta a São Luís, após formar-se em Portugal, buscando os seus antepassados e uma fortuna que lhe teria sido subtraída. Termina apaixonando-se pela prima, branca e rica, Ana, e descobrindo o próprio passado. Sob a inspiração de um padre corrupto, o cônego Diogo (que estava sendo desmascarado pelo mulato), um ex-namorado de Ana assassina Raimundo. O romance acaba com a indiferença de São Luís em relação ao assassinato e o casamento de Ana com o criminoso.)

O cortiço

· A concepção biológica da existência - que chega ao extremo de considerar o próprio cortiço um organismo vivo, sujeito às leis evolutivas;

· A predominância do coletivo sobre o particular;

· O registro da acumulação primtiva de capital (João Romão);

· O fatalismo que condena os indivíduos a se tornarem o reflexo do cenário onde vivem: o determinismo do meio do qual Jerônimo é o maior exemplo;

· O determinismo dos instintos, traduzido especialmente por Pombinha;

· A identificação da indolência, da bagunça e da sensualidade como uma forma tropical-brasileira de ser. Um símbolo disso é a mulata Rita Baiana;

· A ótica nauseada do narrador, que transforma todas as criaturas humanas em animais;

· Algumas tiradas racistas, de acordo com os princípios "cientificistas" da época;

· A celebração de uma extraordinária força vital, de uma selvagem vibração dos instintos e de uma fervilhante alegria de existir e de sobreviver em condições tão adversas.

VII - PARNASIANISMO

Surgimento: França, década de 1860 - Brasil, década de 1880

Características:

1 - Reação à poesia romântica (tentativa de poesia realista).

2 - Objetividade e impassibilidade do poeta.

3 - Culto à forma, entendida como métrica, rima e versificação.

4 - Utilização de fórmulas poéticas fixas como o soneto.

5 - Arte pela arte: a arte só tem compromisso com sua beleza.

6 - Temas principais: Antigüidade greco-romana; discussão sobre a própria poesia; descrição de cenas da natureza e de objetos.

Parnasianismo no Brasil

· Literatura descompromissada das elites.

· Ampla dominação cultural paransiana (1882-1922) que desencadeia, por oposição, a Semana de Arte Moderna.

A tríade parnasiana:

1) Olavo Bilac (Tarde, Poesias, Via-láctea, Sarças de fogo).

Temas principais:

- Natureza.

- Pátria.

- Antigüidade greco-romana.

- Amor sensual e amor platônico.

- Questionamento da própria poesia.

Características básicas:

- Rigidez métrica e luta pela perfeição formal.

- Desvios na objetividade parnasiana, resultantes de uma pretensa "herança romântica" que se traduz em temas subjetivos como o amor (seja o erótico, seja o platônico) e o nacionalismo.

Poemas mais conhecidos:

- Profissão de fé.

- In extremis.

- O caçador de esmeraldas.

2) Raimundo Correia (Meridionais)

Temas principais: Natureza - Melancolia da existência.

Características básicas:

- Recursos visuais (plásticos) e sonoros na confecção dos versos.

- Tentativa de um sentido filosofante na poesia em geral.

Poemas mais conhecidos:

- As pombas.

- Mal secreto.

3) Alberto de Oliveira

Temas principais: - Natureza - Descritivismo de objetos

Característica básica: Adesão completa e rígida a todos os princípios do movimento.

VIII - SIMBOLISMO

Surgimento: França, 1880, com Verlaine, Mallarmé e Rimbaud.

Características:

1) Reação subjetivista ao descritivismo parnasiano.

2) Abandono das fórmulas poéticas rígidas.

3) A poesia deve ser um processo de sugestões (sugerir = não dizer, não nomear).

4) Sugestão através de símbolos, de metáforas originais, de uma linguagem cifrada.

5) Sugestão através da musicalidade da linguagem (uso de aliterações).

6) Culto do mistério, do espiritualismo e do misticismo.

7) Descoberta das camadas profundas da vida psíquica.

8) Domínio do vago, do obscuro, do nebuloso, do inefável.

SIMBOLISMO NO BRASIL

- Movimento surgido em províncias intelectualmente sem importância, na época: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais.

- Pequena ressonância na época e forte influência (dos simbolistas europeus) nos anos de 1910, 20 e 30 sobre as obras de Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Mário Quintana e Vinícius de Moraes.

1) CRUZ E SOUSA

:: Missal - Broquéis - Faróis - Evocações - Últimos sonetos Temas básicos: - A obsessão pela cor branca - O erotismo sublimado - O sofrimento da condição negra - O sofrimento da condição humana - Espiritualização e religiosidade - Linguagem metafórica e musical.

2) ALPHONSUS DE GUIMARAENS

:: Câmera ardente - Dona Mística - Septenário das dores de Nossa Senhora Temas básicos: - A morte da noiva - A sublimação da perda da noiva através

do misticismo religioso - A paisagem fantasmagórica das cidades mineiras - Linguagem de rica musicalidade e, por vezes, litúrgica.

3) PEDRO KILKERRY -Poesia fragmentária, difícil. - inovações de linguagem.

 

Voltar <<>> Continuar